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O Que Há Nas Paredes?

O que exibimos nas paredes? Priorizamos o que é produzido pelas crianças ou optamos somente pelo que é feito pelo adulto? Qual o sentido de “enfeitar” uma sala com painéis e personagens da cultura da grande mídia? Qual a razão de haver números e letras do alfabeto em todas as salas? Qual o motivo de padronizarmos as salas com painéis de ajudantes, de chamada e de aniversariantes? Tantos painéis e imagens estereotipadas provocam uma poluição visual. Porém, muitas vezes, o professor está tão habituado com eles, que passa os anos repetindo essa prática sem pensar sobre ela e sem nem mesmo buscar um diálogo teórico que a fundamente.

O que está exposto não é um mero pano de fundo! O que está nas paredes anuncia algo. Em 1995, a primeira publicação de “Critérios para um atendimento em creches que respeite os direitos fundamentais das crianças”, das autoras Maria Malta Campos e Fúlvia Rosenberg, já ponderava: “Nossa creche sempre tem trabalhos realizados pelas crianças em exposição.” (p. 17). Os Parâmetros Nacionais de Qualidade para a Educação Infantil (MEC, 2006, Vol. 2) consideram: “As paredes são usadas para expor as produções das próprias crianças ou quadros, fotos, desenhos relacionados às atividades realizadas visando a ampliar o universo de suas experiências e conhecimentos.” (p. 42). Os Indicadores de Qualidade na Educação Infantil (MEC, 2009) questionam: “As produções infantis estão expostas nas salas de atividades e ambientes das instituições?” (p. 47). Esses são alguns dos documentos oficiais, acessíveis no site do Ministério da Educação e Cultura (MEC), impressos e enviados para as secretarias de educação dos municípios de todo o Brasil e por muitos ainda ignorados.

As imagens não são neutras: são cheias de significados que comunicam, alimentam e formam o repertório imagético das crianças, que é uma das bases para a criação. É preciso refletir sobre o quanto nos parece comum encontrarmos nas escolas de educação infantil um padrão de imagens advindas da cultura de massa, com olhar acrítico e opaco, impedindo a inserção do artístico e de um olhar mais complexo para as coisas do mundo.

A participação das crianças no que é exposto nas paredes é fundamental. Por isso, não podemos ignorar algumas questões como: se a produção exposta teve participação de todos ou somente da professora; se as crianças se identificam com o mural ou se ele foi elaborado desconsiderando seus interesses; se a identidade individual ou do grupo foi preservada; e se o grupo percebe as imagens como relevantes ou desinteressantes.

Diante do exposto, apresento algumas imagens que ilustram o que defendo: paredes com produções das crianças ou com imagens de algo que esteja nos projetos ou no planejamento dos professores.

 

1.Disponível em: http://portal.mec.gov.br/dmdocuments/direitosfundamentais.pdf – Acesso em: 13 mai. 2018.
2.Disponível em: http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/Educinf/eduinfparqualvol1.pdf e http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/Educinf/eduinfparqualvol2.pdf – Acesso em: 13 mai. 2018.
3.Disponível em: http://portal.mec.gov.br/dmdocuments/indic_qualit_educ_infantil.pdf – Acesso em: 13 mai. 2018.
4.http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=12579%3Aeducacao-infantil&Itemid=859 – Acesso em: 13 mai. 2018.

 

 

 

Paredes do corredor de uma escola de Educação Infantil. Fotos: arquivo pessoal

 

 

 

Possibilidades de pendurar os desenhos no exemplo da EtonHouse International Education Group e o modo como as crianças participam no que é exposto nas paredes e no teto, na publicação de Joanne Marie Hynes, em Reggio Children Inspired. (Fonte: EtonHouse International Education Group)

 

 

 

Desenhos de crianças de 0 a 3 anos na parede de um solário. Foto: arquivo pessoal.

 

 

Paredes com imagens das crianças e do que supostamente estejam aprendendo por meio de situações de aprendizagem planejadas pelo professor. A primeira imagem é de Joanne Marie Babalis, do TransformEd e a segunda está publicada no Interaction Imagination. (Fonte: http://www.letthechildrenplay.net/2010/05/beautiful-learning-spaces-in-reggio.html)

 

 

 

Portas podem ser identificadas apenas com o nome do grupo. Se estiverem sem pintura e aparentemente descuidadas, uma dica é forrar com papel e convidar as crianças para pintarem. As imagens mostram crianças de três anos pintando a porta de sua sala. Foto: Arquivo pessoal.

 

 

 

A partir do período de inserção, as paredes vão recebendo desenhos e pinturas das crianças ou imagens e textos de seus estudos e descobertas, como mostra a publicação de Fairy Dust Teaching. (Fonte: http://fairydustteaching.com/2013/01/reggio-emilia-child-art/)

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